Evolução da Internet das Coisas exige mais investimentos em rede

Vagner-DinizA infraestrutura atual das redes de dados das empresas que fornecem serviços e produtos de TI é insuficiente para dar conta das projeções de objetos conectados pela chamada Internet das Coisas. Estimativas da Gartner, Morgans & Stanley e Yahoo indicam entre 26 e 70 bilhões de objetos conectados e receita na casa de US$ 1 trilhão até 2020: “Ainda que o exercício da futurologia possa nos causar desconfiança nos números, qualquer estimativa que seja a metade ou um terço apenas, já é suficiente para afirmar que a atual infraestrutura não atenderá a demanda em velocidade, volume e segurança no fluxo de informações circulando”, afirma Vagner Diniz, gerente do Ceweb.Br, que participa de palestra sobre o tema durante o Rio Info 2015.

Segundo Diniz, a indústria precisa investir para melhorar a capacidade da internet e acompanhar a evolução da tecnologia, que prevê um futuro cada vez mais conectado entre pessoas e objetos. “É urgente a substituição do atual protocolo de rede IPv4 pelo IPv6, que permite enorme capacidade de endereçamento de objetos na rede, maior velocidade na transmissão de pacotes e resolve problemas de segurança do protocolo IPv4. Também será necessário considerar protocolos mais eficientes na camada da aplicação para troca de dados. Nada disso avançará sem grande investimento em infraestrutura de banda larga”.

Embora muito se fale sobre o conceito de Internet das Coisas, Diniz, acredita que ainda falta muito para que possamos afirmar que já vivemos na era da IOT. “Tem muito ainda a caminhar para que possamos dizer que no nosso cotidiano já convivemos com coisas conectadas. Na melhor das hipóteses, podemos dizer que hoje está se consolidando a Internet dos sensores. É necessário criar valor de uso para consolidar a adoção dos objetos conectados”.

A ideia de coisas conectadas, segundo Vagner, já existe desde o início da década de 90, embora somente agora tenha ganhado condições para se tornar mais presente no dia a dia. “Àquela época já se falava em integração de máquinas complexas a sensores e ao ambiente RFID. Desde então, temos visto crescer o surgimento de objetos conectados à Internet. Geladeiras, relógios, equipamentos médicos, dispositivos de segurança e carros são os objetos mais citados pela mídia”.

Segundo Diniz, já podemos encontrar diversos sensores de aquecimento, ventilação e ar-condicionado controlados por aplicação na Internet. No campus da Universidade de São Paulo, os postes de iluminação possuem um endereço IP pelo qual eventos podem ser acionados a partir de aplicação no servidor e sensores controlam a intensidade da iluminação, de acordo com a quantidade de pessoas circulando no momento. A Michelin já faz teste para oferecer pneus com sensores que oferecem informações para a manutenção necessária. As principais fabricantes de automóveis já estão estudando remodelagem do painel do motorista para que ele possa lidar com informações obtidas por dispositivos do carro conectado à Internet.

Não há limites para as possibilidades de uso de dispositivos conectados à Internet e a criatividade e inovação são palavras-chaves para o que teremos em um futuro próximo. “Na área médica, por exemplo, sensores “vestíveis” poderão facilitar a interação paciente-médico; na defesa civil, casas conectadas poderão ter dispositivos acionados automaticamente para maior proteção contra calamidades públicas; na área de energia, grids conectados poderão controlar melhor o consumo de energia elétrica,  na área de transporte, a manutenção de carros a distância será possível”.

Assim como outras inovações tecnológicas, a adoção de IOT como instrumento do cotidiano deve acontecer de forma natural, mas, segundo Diniz, essa adaptação dependerá muito da simplicidade ou complexidade de uso oferecido ao consumidor. “A adoção do celular como meio de comunicação por voz e dados também cresceu rapidamente. Milhões substituíram as cartas escritas à mão por correio eletrônico. Não há porque não afirmar que o uso de produtos e serviços conectados à rede também poderá ser corriqueiro. Só vai depender do valor de uso e da usabilidade do que será oferecido”.

A segurança, no entanto, ainda é um ponto sensível para a conectividade das coisas. Segundo Diniz, a maioria dos dispositivos atuais conectados à Internet é de baixa engenharia inteligente, capazes de realizar poucos eventos e, portanto, mais vulneráveis aos riscos de segurança e privacidade: “Novos protocolos de comunicação e dispositivos mais robustos vêm sendo desenvolvidos pela indústria. Um simples relógio com capacidade de sincronização pela internet com agenda do notebook do seu dono pode se tornar um grande problema se roubado. O ritmo de avanço da tecnologia tem sido mais rápido do que a capacidade das empresas de garantirem a segurança de recursos internos e em cloud computing”.

Marcia Matsubayashi, analytics leader da Deloitte, é outra participante do painel sobre a “Internet das Coisas”, no seminário “A Sociedade e a Web”, no dia 16.

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